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domingo, 9 de junho de 2013

Meu vizinho, o chinês e o botãozinho

Vamos supor que haja uma máquina, como essas de venda automática, esta provavelmente projetada para combater a super-população, na qual se apertaria um botãozinho e a máquina pagaria 10 reais. No mesmo instante, morreria uma pessoa no mundo. Ora, se a pessoa a morrer fosse um vizinho meu, eu não passaria nem perto da máquina.  Mas se fosse um desconhecido lá na China? Bem, há chinês demais mesmo, eu apertaria o botãozinho para ir almoçar.  E talvez me acostumasse com esse tipo de financiamento de meus almoços.  Aliás, ao chegar o período das compras de Natal, provavelmente se formaria fila na máquina.
Mas essa questão é bem mais abrangente do que parece, pois todo o processo que tem sido entendido como desenvolvimento sempre implicou em apertar botõezinhos. Com isso se formaram fortunas imensas, como se formou um poder incomensurável, enquanto se chegou à morte pela fome de mais de um milhão de pessoas por ano, enquanto se extinguiu uma quantidade enorme de espécies animais, se devastou a grande maioria das florestas do mundo, se relegou a maior parte da população do mundo a condições sub-humanas, se ameaça o equilíbrio ambiental mundial. Vamos assim mesmo continuar a apertar botõezinhos?
Mas parece que vamos. O hábito de apertá-los se tornou compulsivo, frenético. Dele depende agora toda uma sociedade do contra-senso, da inconsciência. Marchamos todos alegremente em direção ao abismo, confiando no recurso ao botãozinho.     

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