A questão das externalidades foi levantada por primeiro em 1950, pelo economista alemão Kapp, que publicou na Inglaterra The Social Costs of Private Enterprise (a segunda edição, publicada em 1961 nos Estados Unidos, substituiu o termo Private por Business). O conceito então empregado era de que externalidades eram custos gerados, mas não assumidos, pelas empresas, como a contaminação das águas e vários tipos de poluição, custos que serão então transferidos a outros, ou socializados. Em 1967, o inglês Mishan, com seu The Costs of Economic Growth, amplia o conceito, por considerar que o crescimento econômico como um todo implica em vastas externalidades, aí podendo ser incluída a descapitalização natural. Não só esses aspectos ambientais são porém abarcados pelo conceito de externalidades, pois o mesmo raciocínio se aplica também a aspectos sociais, como é o caso do desemprego, ou de moléstias profissionais.
Os grandes aglomerados urbanos da atualidade geram uma multiplicidade de externalidades, tanto ambientais como sociais, implicando intensa utilização de recursos públicos, que poderiam de outra forma ser aplicados de maneira socialmente mais eficiente. De eficiência aliás se trata ao avaliar o desempenho das empresas. Como externalizam grande parte dos custos que geram, muitas empresas podem com esse recurso exibir eficiência financeira, sendo por isso tomadas como modelo de gestão a ser imitado, embora pelos custos que transferem à sociedade poderiam eventualmente ser classificadas como socialmente ineficientes. A prática de subsídios públicos encobre essas e muitas outras ineficiências.
Decorre daí a não atribuição de valor aos recursos naturais, tanto ao apropriá-los, como ao poluí-los. Essa atitude se propaga ao nível internacional, quando os países exportadores de matérias primas exportam por um retorno que cobre os custos de extração e transportes, mas escassamente remuneram o recurso natural em si, ou mesmo chegam a viabilizar exportações por subsídios; havendo que levar em conta também os baixos salários, uma espécie de macro-subsídio social às exportações.
Em muitos documentos e conferências internacionais já vem sendo pleiteada a internalização das externalidades, inclusive tendo sido formulado o princípio do poluidor-pagador. Tomado o conceito de externalidades em sua compreensão mais ampla, no entanto, sua supressão implicaria o abandono de todo o modelo geral de crescimento, que se viabiliza justamente pelas externalidades gigantescas que gera, em termos de descapitalização do estoque de recursos naturais, de uma pressão já quase insustentável sobre a capacidade de suporte do meio ambiente e de uma exclusão social também gigantesca; tentando-se em boa medida adiar o abandono desse processo como um todo pela intensificação de um vasto sistema de subsídios públicos, que resultam ser portanto um vasto sistema de geração de externalidades. Do livro A
realidade Subjacente
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