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Devido ao agravamento do problema de saúde do Prof. Celso Waack Bueno, a edição deste blogue estará suspensa temporariamente.
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segunda-feira, 16 de junho de 2014
A desinformação na grande mídia
A reeleição de Dilma é vital para o futuro do Brasil. Mas a grande mídia se empenha em trazer de volta a turma de FHC, quando então o país voltaria a ser gerido de acordo com os interesses do capital internacional. Tanto assim que a grande mídia omitiu fatos importantes, e segue com omissões graves, como sejam:
- Que FHC recebeu o país como décima economia do mundo, e o entregou como décima sexta, enquanto Lula-Dima, em 14 anos, passaram o país de décima sexta a sexta economia do mundo, posição que ocupa agora.
- Que no governo FHC chegou-se a transferir 46% da arrecadação federal para pagar juros a bancos e rentistas nacionais e estrangeiros, enquanto Lula-Dilma foram baixando os juros aos atuais cerca de 10%, passando a usar o dinheiro assim poupado principalmente em programas sociais.
- A grande mídia martela em que a economia nacional está crescendo só dois por cento ao ano, omitindo que a Europa está com crescimento negativo e os Estados Unidos têm uma dívida de trilhões de dólares, que não vão conseguir saldar. E que o capital internacional está se refugiando na China, onde opera associado a empresas chinesas, com nomes chineses, escolhida a China por sua enorme oferta de mão-de-obra a preços baixíssimos.
-Também se omite que todos os países hoje ricos, sem exceção, usaram o protecionismo para fortalecer suas economias. Foi assim com Alexander Hamilton nos Estados Unidos, com o imperador Meiji no Japão, com List e Bismark na Alemanha, e até mesmo na Inglaterra, quando Adam Smith – o mais importante proponente do liberalismo - estava ainda vivo, o parlamento inglês votou o Navigation Act, pelo qual só navios ingleses poderiam entrar em portos ingleses. Mas hoje, por influência desses mesmos países ricos, as normas da Organização Mundial do Comércio proibem o protecionismo, o que impede, por exemplo, que o Brasil se defenda da invasão de quinquilharias chinesas, que consomem recursos preciosos, que doutra forma poderiam ser usados no fortalecimento de sua economia...
- E, a propósito de dívida externa, a grande mídia omite que FHC levou-a ao maior nível de nossa história, mas que Lula pagou essa dívida, pois nossas reservas externas são agora superiores à nossa dívida externa atual.
- Como omite que com Lula-Dilma o Brasil resgatou da miséria muitos milhões de brasileiros, que milhões de jóvens vão ascendendo a universidades, que centenas de milhares de famílias das classes de renda baixa e média-baixa vão alcançando possuir casa própria.
- Como omite que gigantescos investimentos vêm sendo feitos para pôr a produzir o pré-sal, e outros gigantescos investimentos vêm sendo feitos na infra-estrutura de transportes e energia elétrica, investimentos que vão propiciar brevemente novo e forte impulso à economia nacional.
- O fato é que o “país do futuro”, como o classificou Stefan Sweig, vai entrando agora em seu futuro de grandeza. Falta-nos porém uma mídia honestamente informativa, ainda que por vezes crítica, cooperando assim com o desenvolvimento social e cultural do país.
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quinta-feira, 3 de abril de 2014
O homo sapiens resolveu se suicidar
Cada espécie evolui através dos tempos em equilíbrio com o meio ambiente – o que sobrevive é o que melhor se adapta a esse equilíbrio. Assim evoluiu também a espécie humana. O avanço da civilização que criamos, porém, foi mudando as condições de vida às quais a espécie humna é adaptada. Na atualidade, vivemos em um meio ao qual a espécie humana não é adaptada. Isso tem tido como consequência um alarmante aumento de moléstias degenerativas. E mais, temos fechado atrás de nós as portas do retorno, pela destruição do próprio meio natural.
Como a promoção sem fim de novos padrões de desperdício incluem artefatos mecanizados e artefatos automatizados, que substituen movimentos naturais das pessoas, induziu-se o sedentarismo, responsável pela atrofia e degeneração de funções vitais. Como a indústria química é capaz de produzir – e quer vender – tóxicos eficazes contra micro-organismos, induziu-se a histeria quanto a ambientes esterilizados, o que atrofia as defesas naurais do organismo – como se não houvéssemos convivido com micro-organismos através de toda a nossa evolução, usando nossas defesas naturais, como o fazem os demais animais. Por razões semelhants, e consequências ainda piores, promove-se
o consumo obsessivo de medicamentos – o “homem moderno” é levado a crer que não pode viver sem eles, que está sob ameaça constante de enfermidades, quando a ameaça está justamente nesse consumo exagerado de medicamentos. Açucares e farinhas refinados, desequilibradores de funções orgânicas, entram pesadamente na dieta diária, como também aliás o sal. Refrigerantes químico-açucarados assumem o status de gêneros de primeira necessidade. E há a poluição de todos os tipos, incluso mesmo a sonora e a visual. A seleção natural foi substituida pelos anti-concepcionais – não nasce mais o mais forte, mas o que a pílula deixa.Alcoolismo e dependência de drogas se propagam continuamente. Tensões, neuroses e psicoses se inserem no dia-a-dia familiar e profissional. Nos Estados Unidos, um terço da população está em tratamento por distúrbios mentais, necessite efetivamente ou não desse tratamento. A soma dos portadores de enfermidades físicas ou mentais já tende a superar a população de um país, pois muitos têm mais de uma enfermidade. Provavelmente declinamos como espécie. Pouco se faz no domínio da medicina preventiva, cuja eficácia, aliás, dependeria da mudança do processo sócio-econômico (o que tem sido oferecido com medicina preventiva é fazer uma bateria de exames de laboratório, para saber que remédio já se pode ir tomando).
Ao mesmo tempo, progride aceleradamente a devastação das matas, ou de qualquer vegetação natural. Na Amazônia, o maior banco genético da Terra, um sem número de espécies estão agora sendo extintas, sem nunca siquer terem sido objeto de pesquisa. As chuvas ácidas – chuvas já contaminadas pela poluição industrial – contribuem em muito para esse processo de destruição natural. Os mares sofrem em proporções crescentes os efeitos da pesca industrial, da mineração submarina e do descarte de resíduaos químicos e lixo atômico. A contaminação radioativa é generalizada – pesquisas a detectam até nos pinguins da Antártida; logo, todos nós estamos também contaminados. Vastos desequilíbrios climáticos estão em curso. Progride a destruição da camada de ozônio da atmosfera, o que poderá levar à extinção da vida naTerra. Nos países do chamado Terceiro Mundo, onde o grau de consciência e participação da população é menor, os abusos são maiores. Substâncias já proibidas nos países industriais continuam em uso nesses países do Terceiro Mundo. Uma quantidade crescente de resíduos químicos e lixo atômico dos países industriais vem sendo despachada para o Terceiro Mundo. Na Somália, que recebe financiamento internacional para permitir que seu território seja usado para depósito de lixo atômico, pelo menos um terço da população já tem diagnóstico de cancer. Enfim, marchamos todos em direção à auto-destruição, Não temos feito jus à denominação de homo sapiens.
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sábado, 8 de março de 2014
Capitalização Material e Descapitalização Natural
A avaliação feita atualmente do processo entendido como desenvolvimento computa os acréscimos de capital material, como novas unidades de produção, infra-estrutura, etc, mas não tem mecanismos para computar as perdas de recursos naturais.. Assim, as perdas de florestas, e a extinção das espécies nelas contidas, as perdas de solo arável, a poluição do ar e de todo o ciclo das águas, também com extinção de espécies, o degelo das calotas polares, etc, não entram no cálculo econômico. É um gigantesco conjunto de externalidades que, se fossem internalizadas, possivelmente reverteriam a avaliação do processo tido como desenvolvimento. Aliás isso se aplicaria também à avaliação do desempenho de muitas empresas, que exibem eficiência financeira, mas cujos custos que externalizam, se levados em conta, poderiam caracterizá-las como ineficientes socialmente.
Trata-se de uma abordagem não racional de avaliação. Se uma mata é destruída, com todas as suas espécies, o cálculo econômico vai computar eventual venda de troncos de suas árvores, de grãos produzidos em seu solo nu, ou de gado aí criado; enquanto o cálculo não vai computar a perda de um número incontável de espécies vegetais e animais, utilizáveis, se explorados de forma sustentável, como alimentos, medicamentos ou insumos industriais, gerando benefícios permanentemente. Uma perda irrecuperável, ou só recuperável, eventualmente, numa perspectiva de tempo que abarcaria gerações. No Brasil, a gigantesca riqueza natural contida na Amazônia está sendo destruída, para transformar o país no maior exportador mundial de carne e de soja, esta em geral para alimentar gado no exterior, enquanto aliás a população do país tem um dos menores índices de consumo per capita de carne, e se sabe que esse processo pode levar à desertificação da Amazônia. Mas o cálculo econômico registra apenas o bom desempenho das exportações do país e o crescimento de seu PIB. Por outro lado, o patrimônio dos recursos minerais, isto é, dos recursos naturais não renováveis, também vai sendo descapitalizado, mas o sistema segue perseguindo o aumento da produção, que utiliza esses recursos em quantidades crescentes.
Essa omissão dos recursos naturais no cálculo econômico simplesmente está convertendo em renda os recursos naturais, isto é, apropriam-se os recursos naturais como se fossem um bem livre, o que aparece nas estatísticas como aumento da produção e da renda, e não como o que efetivamente é – uma descapitalização do patrimônio de recursos naturais. É um crescimento devorador do futuro. Sempre foi isso.
Se ao menos houvesse uma cobrança adequada pela apropriação dos recursos naturais, sua apropriação predatória seria reduzida, retardando seu esgotamento e gerando recursos para uma possível restauração, além de estimular o desenvolvimento de técnicas que aumentem a produtividade na utilização dos recursos naturais. Mas, ao contrário, sua apropriação se faz a preços que mal cobrem os custos de extração e transporte, às vezes nem isso, requerendo subsídios governamentais para que continuem as exportações. Ademais, a baixa remuneração por esses recursos naturais estimula o crescimento da produção industrial nos países que os recebem, a qual se expande sempre, de há muito já tendo penetrado na produção de uma parafernália de superfluidades, e na promoção do consumismo para escoá-las. Estamos portanto esgotando nosso patrimônio natural para convertê-lo em futilidades.
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Desenvolvimento - acumulação destrutiva ou progresso em equilíbrio?
O que se pode chamar de economia internacional foi tomando forma com as grandes navegações, isto é, com a expansão comercial, viabilizada pela utilização de um tipo de embarcação capaz de atravessar os oceanos – a caravela -, ademais equipada com armas de fogo, produzidas na Europa com a pólvora inventada na China, onde era usada para fogos de artifício. É a partir da utilização desse meio de destruição que se irá firmando o poder de nações que o detinham, num processo circular de aumento de meios de destruição e aumento de poder, em crescendo até a atualidade. Até então os países europeus eram bem menos sofisticados que os do Oriente, mas a partir dessa concentração de poder, assim alcançada, se forma também o mito da superioridade racial européia, isto é, branca.
O crescimento da produção para comércio [este assunto é introduzido sem ter sido anunciado ou contextualizado antes] vai mudando a lógica do processo de produção, antes orientado por uma perspectiva de atendimento das necessidades do consumo e portanto limitado pela saciedade dessas necessidades. Com a produção para o comércio, a lógica é a do aumento do lucro por ele proporcionado, não tendo esses limites portanto, em outro processo que vem num crescendo até hoje. Se a lógica passou a ser produzir cada vez mais, então o homem vai utilizar sua inteligência para a invenção de aparatos que aumentem a capacidade de produção, que são as máquinas, com o que se vai ingressando na fase industrial. Assim, a expansão comercial gerou a expansão industrial, como no passado o interesse crescente na Europa por trazer produtos finos do Oriente induziu a formação de empreendimentos comerciais, cujo poder crescente os conduziu a posição hegemônica.
Na verdade, o crescimento da produção industrial que se seguiu tem também seus limites, que são as disponibilidades de recursos naturais para alimentá-lo, do que já tinham consciência os autores clássicos britânicos, todos eles. Malthus com sua conhecida posição quanto à carência alimentar, mas Smith, Ricardo e Stuart Mill foram explícitos quanto à impossibilidade da Inglaterra continuar seu crescimento industrial com base em sua própria disponibilidade em recursos naturais. Smith já tinha entrevisto, no entanto, e Ricardo especificou e completou, a proposta de solução via especialização internacional da produção, no quadro geral do liberalismo econômico, o pilar central do ideário dos clássicos. Através da aceitação da lei das vantagens comparativas, as nações se foram especializando naquilo para o que tinham melhores condições para oferecer às trocas internacionais, isto é, os países industriais em bens industriais, os demais como fornecedores de matérias primas, outro sistema que vigora até a atualidade.
Dir-se-ia que já não é bem assim, pois os exportadores de matérias primas também já estão se industrializando. No entanto, a maior parte do capital utilizado nessa produção industrial provem das potências industriais, capital atraído a esses países pela ampla disponibilidade de mão-de-obra barata, recursos naturais disponibilizados a custo quase zero, abundância de fontes de energia e favores governamentais, por governos empenhados “no desenvolvimento”, isto é, no crescimento a qualquer custo, Assim sendo, segue a exportação de recursos naturais e esforço de trabalho a baixos preços, agora embutidos nos bens industriais exportados, sendo os lucros maiormente remetidos para os países de origem do capital. Esse novo perfil do processo vai no entanto gerando importantes transformações.
Forma-se crescentemente mão-de-obra qualificada e capacidade gerencial nos países que abrigam esse tipo de industrialização, assim como se filtra para a economia local considerável quantidade de renda, com resultante aumento do potencial de mercado e seus efeitos multiplicadores. Mas se acelera aí a exploração predatória de recursos naturais e a conseqüente deterioração ambiental. A ser incorporado ao cálculo econômico o valor dos recursos naturais apropriados na produção, o resultado seria provavelmente o de que o valor da descapitalização natural supera a capitalização material, isto é, com sua ilusão desenvolvimentista esse países estão provavelmente descapitalizando, o que compromete as possibilidades de que venham a alcançar no futuro condições de bem estar para a maioria de suas populações, mantidas no passado e no presente em condições precárias de vida, problema que pode ser momentaneamente atenuado, mas não resolvido, com assistencialismo. Ademais, as regras impostas por organizações internacionais, ou pelo Consenso de Washington, vedam a adoção por esses países de medidas protecionistas, as quais foram o motor do desenvolvimento de todas as nações industriais, sem exceção, e continuam sendo por elas adotadas. É bem conhecida a posição de Hamilton nos Estados Unidos, Meiji no Japão, List e Bismarck na Alemanha, e outros, todos promotores do protecionismo, que conduziu seus países a posições privilegiadas. A adoção de medidas protecionistas pelos países exportadores de matérias primas enfrenta porém na atualidade forte oposição.
Nos países industriais, a migração de milhares de indústrias para países exportadores de matérias primas gerou altas taxas de desemprego, enquanto o fato de que as empresas que migraram exportam de volta aos países industriais, incluso para os de sua origem, grandes quantidades de produtos a baixos preços gera nesses países avultados déficits comerciais. Desemprego e déficits comerciais se constituem em uma parte importante das causas da situação de crise em que se encontram esses países. Essa migração de indústrias também vai acentuando uma tendência para que as potências industriais tenham seu perfil de investimentos deslocado para os serviços e para o setor financeiro, aliás curiosamente de acordo com o proposto em 1972 pelo Limits to Growth, do Clube de Roma. Esse crescimento do setor financeiro, por sua vez, ao expandir-se exageradamente, abarcando de forma crescente áreas de risco, acabou, pela alta inadimplência, gerando a outra parte da crise que acomete as nações industriais no presente.
O processo de acumulação padece de compulsão ao crescimento, não apenas pela busca incessante do lucro, mas também porque ele não se coaduna com a estabilização. A industrialização gerou o setor de produção de bens de capital, que praticamente não existia na economia de base agrária. As crises de então estavam ligadas a condições climáticas – os anos de “vacas gordas” e de “vacas magras” das escrituras. Na economia industrial as crises passam a ser parte do processo. O setor de bens de capital produz para repor a capacidade instalada e para atender ao aumento da produção. Se a economia cresce a taxas constantes o setor de bens de capital se estabiliza. Mas se houver uma redução na taxa de crescimento, o setor de bens de capital já entra em retração, gerando ali desemprego, cujos efeitos repercutem nos demais setores, pela redução da renda correspondente a esse desemprego, podendo gerar então mais redução da taxa de crescimento, avançando a gestação da crise. As crises são portanto inerentes à economia industrial., Para evitá-las é preciso crescer sempre, o que tem um pouco a ver com o recurso a guerras, cuja ocorrência tem uma certa correlação com momentos de arrefecimento do crescimento econômico, sendo de ser levado em conta que a produção de armamentos provém do mesmo setor que produz bens de capital.
O crescimento constante da produção industrial, bem como portanto da atividade comercial decorrente, vai demandando também crescimento constante dos meios de pagamento, o que por sua vez vai inviabilizando que as moedas continuem lastreadas em ouro. O abandono do padrão ouro conduziu no entanto a crescente instabilidade monetário-financeira, que atingiu seu máximo no período de entre guerras mundiais. A fim de criar mecanismos para evitar a repetição do caos dos anos 30, reuniu-se ao final da segunda guerra a conferência de Bretton Woods, na qual, além da criação do FMI e do Banco Mundial, decidiu-se pela adoção do sistema misto de pagamentos internacionais dólar-ouro, uma vez que o dólar era a única moeda ainda conversível em ouro. Esse sistema funcionou relativamente bem. Mas em 1971 os Estados Unidos abandonaram o padrão ouro e o dólar passou a ser apenas papel-moeda. Nessa condições, impunha-se a criação de uma moeda internacional, que poderia ser emitida, por exemplo, pelo FMI, mas não foi o que aconteceu, e o dólar papel se manteve como meio de pagamento internacional, passando a crescer sem peias todo o setor financeiro. Uma moeda sem nenhum valor intrínseco é tratada como um bem comerciável, como uma mercadoria, cujo preço é o juro, passando a sofrer as flutuações próprias do mercado, como também passando a ser objeto de todo tipo de especulações. O preço de uma moeda estrangeira, que é o câmbio, também entra no processo especulativo, e bem assim as ações de empresas, os títulos de dívidas públicas e privadas, as hipotecas de imóveis e toda uma série de outros títulos, tudo com valores flutuando ao sabor da especulação financeira, valores por sua vez referidos a papel sem lastro. O mundo ingressou assim na etapa delirante das especulações financeiras, na hegemonia dos bancos e/ou especuladores. Os governos, atolados em dívidas, cortam gastos sociais e aumentam impostos para pagar juros, o que recai sobre produtores e trabalhadores, por sua vez também colhidos na engrenagem do endividamento, e portanto pagando juros ao setor financeiro. Na atualidade o endividamento já é geral, colhendo os governos, passando pelas empresas e indo até as pessoas. A interrupção da concessão de créditos agora deixaria a maioria dos devedores sem condições de pagar suas dívidas. Seria a ruína imediata de todo o sistema. De qualquer forma - como já comentado - a expansão contínua do crédito adentrou áreas de risco, onde a inadimplência resulta ser alta. Há ademais diversos países que já interromperam o pagamento de suas dívidas externas. Os que não o fizeram, e adotam cortes orçamentários e aumento de impostos para seguir pagando os juros da dívida, enquanto fazem transferências massivas de recursos para bancos, estão com freqüência enfrentando manifestações de protesto.
O processo secular de acumulação, que culminou nesta sua fase financeira, sem ter abandonado mecanismos de acumulação das fases anteriores, inclusive a violência destrutiva, dá mostras agora de que se encaminha para sua saturação terminal. O contínuo crescimento desse processo de acumulação, por se aproximar de seus limites em nível mundial, gerou a crise generalizada atual, com seus aspectos ambientais, sociais, econômicos e financeiros, para os quais não há soluções isoladas. As soluções serão viabilizadas na medida em que se reverta o processo de acumulação a um processo de redistribuição, em direção ao equilíbrio. O progresso em equilíbrio poderá ser levado ao futuro e poderá ser levado a todos, isto é, será sustentável e generalizável.
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
P2 – Colonialismo, imperialismo, belicismo e uso da mão de obra
A
economia estabelecida durante o sistema colonial baseou-se mormente na
utlização de mão de obra escrava na produção de produtos agrícolas, ou
extrativos, para exportação aos, ou via os, países metropolitanos. Internamente aos países dominados o sistema
favoreceu a formação de elites, em geral de brancos, as quais geriam o sistema
localmente, ao mesmo tempo em que utilizavam as receitas auferidas na aquisição
de produtos finos provenientes dos países dominadores, ou iam aí gastar, como
também enviavam seus filhos para cursar universidades. Eram elites geradas e
mantidas, até hoje, em comunhão de interesses com os países dominadores,
opondo-se sempre politicamente a tentativas de emancipação nas colônias, ou nos
países aparentemente indepedentes de hoje. Mas não só com esse modelo se deu a
ocupação do território nas colônias.
Esse modelo prevaleceu onde as condições de
solo e clima eram propícias a produções não existentes nas metrópoles, do
contrário o custo do transporte a longa distância inviabilizaria a colocação da
produção local nos mercados das metrópoles. Isso condicionou a criação nas
colônias de extensas culturas de produtos tropicais, como açucar, cacau, café,
algodão, tabaco e outros. Já nas áreas de condições semelhantes às das
metróploles , como não foi possível ali implantar atividades exportadoras, a
terra ficou disponível para que aí se alojassem famílias que haviam sido
expulsas da terra, para aprodução de matérias primas para a atividade
industrial em expansão, o que gerara condições sociais calamitosas em países
europeus, como foi o caso da ocupação da terra na Inglaterra para a criação de
ovelhas, fornecedora de lã para as tecelagens. Essas famílias, que chegaram aos
milhões, foram ocupando a terra disponível e passaram a produzir para si
próprios, ou para os mercados locais, reproduzindo os padrões de seus países de
origem. Foi o caso do norte das provícias da Inglaterra e da França na América
do Norte, e de todo o Cone Sul na América do Sul, incluindo o sul do
Brasil.
Esses
dois tipos de ocupação do território tiveram desenvolvimentos opostos. Os
dedicados à exportação mantiveram-se como tal até hoje, tendo substituido a
escravidão por exploração brutal da mão-de-obra, geradora de miséria e ignorância.
Os que produziam para si próprios, livres da dominação por latifundiários, prosperaram
rapidamente, terminando por gerar condições para sua própria industrialização.
Mas essa nova indústria necessitava também de matérias primas, razão pela qual
as áreas industriais lideraram os processos de independência nesses países,
passando as suas áreas exportadoas a abastecera indústria local, em algo se
assemelhava a colônias internas. Mas havia os interessses de exportadorews nessas
áreas dominadas internamete, os quais resistiram ao poder dos industriais
locais, mas foram derrotados, Foi o caso da Guerra Norte-Sul nos Estados Unidos
e da revolução de 1930 no Brasil, setenta anos depois da guerra civil americana.
A
propósito, o domínio industrial se consolidou em nível mundial. Hoje a economia
rural é um segmento da economia industrial, recebendo da indústria equipamentos
e insumos e entregando seus produtos para processamento industrial, seja no
próprio país ou além fronteiras. A mão-de-obra, que transitara da agricultura
para a indústria, vai agora sendo daí também desalojada, pela evolução tecnológica
que, em vez de priorizar, como deveria ter feito, a economia de matérias
primas, priorizou a economia de mão- de-obra, gerando assim a crise social do
desemprego em nível local e a crise ambiental decorrente da contínua corrida
aos recursos naturais.
O
desemprego nas áreas imediatas à mecanizaçao vai gerar a migração para as
cidades e portanto também o problema da marginalidade urbana, que por sua vez
transborda para a migração internacional, para as nações industriais, onde o
envelhecimento da populaçao requer a importação de mão-de-obra jovem, para
financiar gastos previdenciários crescentes. Mas por outro lado é a própria
indústria que migra desses países industriais para os países de baixos
salários, fechando assim grande número de empregos nos países industriais
tradicionais, pelo que a população culpa os trabalhadores imigrantes. Além de
perderem grande número de indústrias com esse processo, esses países
exportadores de indústrias recebem uma avalenche de produtos a baixos preços,
provenietes dos novos países industriais. O caso da China é o mais expressivo..Os
países ainda ricos enfrentam agora portanto uma grave crise devido a esses dois
fatores, mas se pretende que superem essa crise cortando gastos públicos, o que
incide fortemente sobre os gastos sociais, agravando a crise.
Na verdade o poder
econômico-financeiro não tem pátria, é de âmbito mundial, e seus interesses se
sobrepõem a interesses nacionais. Os
detentores desse poder se orientam por uma lógica própria, superior e
insensível aos dramas dos “comuns”. A esse nível os problemas são dois: os
recursos naturais estão em contagem regressiva para esgotamento, a se manter a
corrida atual a esses recursos, mas a manutenção do sistema de poder requer o
crescimento contínuo, necessário para manter o setor de bens de produção,
característico da economia industrial. Esse setor precisa crescer sempre. A
simples diminuição de sua taxa de crescimento provoca uma retração nesse setor,
que se propaga aos demais. Mas há um número enorme e crescente de pessoas clamamdo
pela utilização de recursos naturais para sua sobrevivência, o que agrava o
estrangulameto do processo e gera reações políticas crescentes contra o próprio
sistema de poder. Que recomenda então a lógica “superior e insensível”? A
diminuição da população, pois o que interessa é que cresça o número de pessoas
que podem comprar, e não o número de pessoas que apenas querem sobreviver, que
são a maioria. A diminuição das taxas de natalidade decorreria naturalmente da
elevação do nível cultural das massas desfavorecidas, Mas como essa elevação
cultual não interessa por razões políticas, pois traria consigo a elevação do
nível de consciência, recorre-se a métodos diretos para diminuir a população. É
essa a terrível ameaça que paira sobre as cabeças de todos nós. Já se pode
perceber a ação do grande poder nesse sentido. Aí está o belicismo a massacrar
populações, e com o uso de armas concebidas para isso, para massacrar grande
número de pessoas. Aí está a interminável série de conflitos internos
provocados pela infiltração de mercenários. Aí estão os efeitos mortíferos do
“terrorismo da Al Qaeda”, uma entidade fantoche criada para isso. Aí está a
insensibilidade quanto às mortes massivas pela fome. Aí está um número
crescente de enfermidades suspeitas de serem provocadas. Aí estão os muitas espécies
de drogas, perseguidas no varejo mas protegidas no atacado. Aí está a ampla
promoção do homossexualismo – que deve ser
respeitado como opção pessoal, mas cuja ampla promoção pelos meios de
comunicação, até mesmo em escolas, é indevida.
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