Por
que desenvolvimento generalizável? Porque não interessa um desenvolvimento que
não possa ser levado a todos. Ainda que a mídia e boa parte da academocracia
insistam na idéia de que a elevação dos padrões materiais de vida para alguns
acabará irradiando benefícios para os demais (a teoria do trickle down), a verdade é que o enriquecimento de alguns se faz à
custa dos demais, o que é válido em termos de pessoas, de cidade e campo, de
regiões ou de países.
Assim
se deu todo o processo de desenvolvimento ao longo da história – tirando de muitos
para beneficiar a poucos. Essa foi a motivação do colonialismo, do imperialismo
e do belicismo atual, O colonialismo propiciou a riqueza dos países europeus, o
imperialismo consolidou as vantagens dos países industriais, o belicismo atual
é um esforço extremo para preservar essas vantagens, já agora em termos de
grandes conglomerados empresariais, não importa por que meios, e não importa
com que consequências.
O
que tem sido entendido como desenvolvimento é um processo de acumulação, da
qual acumulação há beneficiários e tributários. As cidades não se manteriam se
não houvesse apropriação a baixos preços de trabalho e recursos naturais
provindos do campo. As classes abastadas, beneficiárias do processo, não se manteriam
se não houvesse tributários com níveis de renda mais baixos produzindo os
produtos consumidos por elas. Os países beneficiários não o seriam se não
houvesse os países tributários. Riqueza e pobreza são obviamente as duas faces
de uma mesma moeda, embora sofisticadas teorias econômicas procurem negar isso.
Esse
processo histórico nos conduziu à situação insustentável em que nos
encontramos. Todos os recursos, e todos os meios, são usados para salvar as
economias de desperdicio, do que resulta que já busquemos recursos em regiões
remotas, no fundo dos mares, sob as calotas polares: Destruimos as últimas
reservas florestais, provocamos a
desertificação acelerada, o aquecimnto global, a extinção de uma infinidade de
espécies, a morte pela fome de cerca de 50 mil pessoas por dia. Queremos mesmo
manter esse estado de coisas? Queremos continuar confiando nesse tipo de
“desenvolvimento”? E não se diga que “não há o que fazer”, porque sim, há
solução. E justamente impedir que se divulgue a consciência de que há solução se
constitui num dos maiores crimes de lesa humanidade cometidos atualmente.
O
tão intensamente promovido desenvolvimento sustentável não chega a ser a
solução, uma vez que se atem a propor a diminuição dos efeitos, sem ir ao âmago
das causas. As práticas do desenvolvimento sustentável se atêm a uma
convivência mais respeitosa com o meio ambiente, por parte das pessoas e das
empresas, minorando os efeitos da destruição ambiental, mas nem siquer
mencionando as causas dessa destruição, ou mesmo negando seus efeitos, como no
caso do aquecimento global, enquanto há um bloqueio, por parte da mídia e da
maior parte da academocracia, da
conscientização das causas, ou da causa, que é a obsessão pelo crescimento econômico, que continua
dominante na sociedade atual, aumentanto sempre tanto o poder
econômico-financeiro como a desgraça social e ambiental por ele causada.
Uma vez
conscientizada a causa, torna-se óbvia a necessidade de deter essa corrida
insana pela apropriação de recursos naturais e humanos para alimentar o
crescimento dum poder concentrador, e portanto também excludente. Desde 1977,
um estudo publicado pelas Nações Unidas e elaborado sob a liderança do Prêmio
Nobel Wassily Leontief, já demonstrara que há recursos no mundo para manter
toda a sua população com padrões satisfatórios de vida, desde que distribuidos
equitativamente. O problema não é portanto escassez de recursos, mas sua má
distribuição, pois a maioria dos recursos é sifonada para alimentar economias
de desperdício, enquanto nos países seus exportadores prevalece a miséria e a
fome. É a consciência disso que impulsiona a idéia do desenvolvimento
generalizável, isto é, o que promova uma convergência para padrões médios, que acomodem
toda a população da Terra. Essa é não só uma solução, mas a única solução
possível.
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