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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

P1 – Por que desenvolvimento generalizável?


Por que desenvolvimento generalizável? Porque não interessa um desenvolvimento que não possa ser levado a todos. Ainda que a mídia e boa parte da academocracia insistam na idéia de que a elevação dos padrões materiais de vida para alguns acabará irradiando benefícios para os demais (a teoria do trickle down), a verdade é que o enriquecimento de alguns se faz à custa dos demais, o que é válido em termos de pessoas, de cidade e campo, de regiões ou de países.
Assim se deu todo o processo de desenvolvimento ao longo da história – tirando de muitos para beneficiar a poucos. Essa foi a motivação do colonialismo, do imperialismo e do belicismo atual, O colonialismo propiciou a riqueza dos países europeus, o imperialismo consolidou as vantagens dos países industriais, o belicismo atual é um esforço extremo para preservar essas vantagens, já agora em termos de grandes conglomerados empresariais, não importa por que meios, e não importa com que consequências.
O que tem sido entendido como desenvolvimento é um processo de acumulação, da qual acumulação há beneficiários e tributários. As cidades não se manteriam se não houvesse apropriação a baixos preços de trabalho e recursos naturais provindos do campo. As classes abastadas, beneficiárias do processo, não se manteriam se não houvesse tributários com níveis de renda mais baixos produzindo os produtos consumidos por elas. Os países beneficiários não o seriam se não houvesse os países tributários. Riqueza e pobreza são obviamente as duas faces de uma mesma moeda, embora sofisticadas teorias econômicas procurem negar isso.
Esse processo histórico nos conduziu à situação insustentável em que nos encontramos. Todos os recursos, e todos os meios, são usados para salvar as economias de desperdicio, do que resulta que já busquemos recursos em regiões remotas, no fundo dos mares, sob as calotas polares: Destruimos as últimas reservas florestais,  provocamos a desertificação acelerada, o aquecimnto global, a extinção de uma infinidade de espécies, a morte pela fome de cerca de 50 mil pessoas por dia. Queremos mesmo manter esse estado de coisas? Queremos continuar confiando nesse tipo de “desenvolvimento”? E não se diga que “não há o que fazer”, porque sim, há solução. E justamente impedir que se divulgue a consciência de que há solução se constitui num dos maiores crimes de lesa humanidade cometidos atualmente.
O tão intensamente promovido desenvolvimento sustentável não chega a ser a solução, uma vez que se atem a propor a diminuição dos efeitos, sem ir ao âmago das causas. As práticas do desenvolvimento sustentável se atêm a uma convivência mais respeitosa com o meio ambiente, por parte das pessoas e das empresas, minorando os efeitos da destruição ambiental, mas nem siquer mencionando as causas dessa destruição, ou mesmo negando seus efeitos, como no caso do aquecimento global, enquanto há um bloqueio, por parte da mídia e da maior parte da academocracia,  da conscientização das causas, ou da causa, que é a obsessão  pelo crescimento econômico, que continua dominante na sociedade atual, aumentanto sempre tanto o poder econômico-financeiro como a desgraça social e ambiental por ele causada.
Uma vez conscientizada a causa, torna-se óbvia a necessidade de deter essa corrida insana pela apropriação de recursos naturais e humanos para alimentar o crescimento dum poder concentrador, e portanto também excludente. Desde 1977, um estudo publicado pelas Nações Unidas e elaborado sob a liderança do Prêmio Nobel Wassily Leontief, já demonstrara que há recursos no mundo para manter toda a sua população com padrões satisfatórios de vida, desde que distribuidos equitativamente. O problema não é portanto escassez de recursos, mas sua má distribuição, pois a maioria dos recursos é sifonada para alimentar economias de desperdício, enquanto nos países seus exportadores prevalece a miséria e a fome. É a consciência disso que impulsiona a idéia do desenvolvimento generalizável, isto é, o que promova uma convergência para padrões médios, que acomodem toda a população da Terra. Essa é não só uma solução, mas a única solução possível.


LEIA O TEXTO PRINCIPAL DO BLOG: http://desenvolvimento-generalizavel.blogspot.com.br/2013/06/introducao-ao-desenvolvimento.html

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