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sábado, 12 de novembro de 2016

Os custos da hipertrofia urbana

                 


       O diferencial de renda rural–urbano, necessário para a industrialização, vai viabilizando uma série de atividades, que passam a proliferar na áreas urbanas, aproveitando a concentração de renda que beneficia consumidores urbanos  Mas as cidades vão adquirindo dinâmica própria de crescimento, que transcende a industrialização, sempre a partir do estímulo básico da diferença de renda em relação ao campo Tanto essas atividades, como  as atividades industriais, criam empregos, atraem mais pessoas, e forçam portanto mais serviços urbanos, como também mais recursos públicos para pagar por eles.
       Algum grau de urbanização é desejável socialmente. É mais barato, por exemplo,  levar os serviços de educação e saúde a pessoas agrupadas, do que a pessoas dispersas no campo. Ademais, há a vantagem da convivência. As aldeias européias, que são comunidades rurais, são um exemplo dessas vantagens.  Até um determinado nível, a urbanização vai gerando as chamadas economias de escala, no caso, os menores custos dos serviços. A partir de certo ponto, no entanto, o crescimento passa a gerar também deseconomias de aglomeração, isto é, custos gerados pela excessiva concentração de pessoas – transporte público, sobrecarga sobre os pavimentos, custo maior para o abastecimento de água e energia, acúmulo de lixo, poluição de vários tipos, etc. O ponto ótimo de urbanização seria portanto aquele em que as deseconomias de aglomeração igualassem as economias de escala – antes, se perderiam economias de escala; depois, as desvantagens superariam as vantagens. Esse ótimo de urbanização variará de acordo com a evolução técnica e as mudanças de hábitos; mas é certo que as grandes concentrações urbanas de hoje estão muito além desse ótimo, gerando enormes deseconomias. Mas o crescimento continua, porque os governos passam a subsidiar os serviços urbanos, permitindo que novas empresas venham ali se instalar, aumentando a renda dos impostos municipais, embora aumentem em maior proporção as deseconomias de aglomeração.  Mas por essas deseconomias ninguém tem consciência de estar pagando – são externalidades que recaem sobre o conjunto da sociedade. No entanto  as empresas que ali se instalarem se beneficiarão com a facilidade de fechar negócios, com a facilidade de recrutar mão-de-obra, com a dimensão do mercado local e outras vantagens, sem no entanto pagar pelas deseconomias de aglomeração. E na medida em que esse crescimento continue, aumentarão também os subsídios públicos requeridos, normalmente então requerendo recursos de arrecadação de diferentes níveis de governo. Trata-se pois de um importante processo de apropriação de  renda, porque, através de impostos, contribuintes não residentes pagarão,  com parte de sua renda pessoal,  pelas deseconomias geradas por esses grandes centros. Assim, a eliminação dos subsídios interromperia a hipertrofia urbana e a apropriação da renda de não beneficiários, enquanto propiciaria uma ocupação mais homogênea do território, com vantagens econômicas, sociais e ambientais. Em vez desse processo irracional de outorga de subsídios, seria lógica a adoção de um princípio semelhante ao que orienta os defensores do equilíbrio ambiental – o princípio do poluidor-pagador. Aqui se trataria de adotar o princípio do beneficiário-pagador, isto é, quem aufere os benefícios deve pagar pelos custos, o que desestimularia a hipertrofia urbana e induziria uma ocupação mais homogênea do território.  

Abaixo imagens de uma antiga cidade europeia e de uma congestionada metrópole moderna.
        

Veja na página         Desenvolvimento Generalizável do facebook o artigo Mãe África – não lhe faltaremos.
https://www.facebook.com/desenvolvimentogeneralizavel/posts/1421748934521580:0

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