O diferencial de
renda rural–urbano, necessário para a industrialização, vai viabilizando uma
série de atividades, que passam a proliferar na áreas urbanas, aproveitando a
concentração de renda que beneficia consumidores urbanos Mas as cidades vão adquirindo dinâmica própria
de crescimento, que transcende a industrialização, sempre a partir do estímulo
básico da diferença de renda em relação ao campo Tanto essas atividades, como as atividades industriais, criam empregos,
atraem mais pessoas, e forçam portanto mais serviços urbanos, como também mais
recursos públicos para pagar por eles.
Algum grau de urbanização é
desejável socialmente. É mais barato, por exemplo, levar os serviços de educação e saúde a
pessoas agrupadas, do que a pessoas dispersas no campo. Ademais, há a vantagem
da convivência. As aldeias européias, que são comunidades rurais, são um
exemplo dessas vantagens. Até um
determinado nível, a urbanização vai gerando as chamadas economias de escala,
no caso, os menores custos dos serviços. A partir de certo ponto, no entanto, o
crescimento passa a gerar também deseconomias de aglomeração, isto é, custos
gerados pela excessiva concentração de pessoas – transporte público, sobrecarga
sobre os pavimentos, custo maior para o abastecimento de água e energia,
acúmulo de lixo, poluição de vários tipos, etc. O ponto ótimo de urbanização
seria portanto aquele em que as deseconomias de aglomeração igualassem as
economias de escala – antes, se perderiam economias de escala; depois, as
desvantagens superariam as vantagens. Esse ótimo de urbanização variará de
acordo com a evolução técnica e as mudanças de hábitos; mas é certo que as
grandes concentrações urbanas de hoje estão muito além desse ótimo, gerando
enormes deseconomias. Mas o crescimento continua, porque os governos passam a subsidiar os serviços urbanos, permitindo que
novas empresas venham ali se instalar, aumentando a renda dos impostos
municipais, embora aumentem em maior proporção as deseconomias de aglomeração. Mas por essas deseconomias ninguém tem
consciência de estar pagando – são externalidades que recaem sobre o conjunto
da sociedade. No entanto as empresas que
ali se instalarem se beneficiarão com a facilidade de fechar negócios, com a facilidade
de recrutar mão-de-obra, com a dimensão do mercado local e outras vantagens,
sem no entanto pagar pelas deseconomias de aglomeração. E na medida em que esse
crescimento continue, aumentarão também os subsídios públicos requeridos,
normalmente então requerendo recursos de arrecadação de diferentes níveis de
governo. Trata-se pois de um importante processo de apropriação de renda, porque, através de impostos,
contribuintes não residentes pagarão,
com parte de sua renda pessoal,
pelas deseconomias geradas por esses grandes centros. Assim, a
eliminação dos subsídios interromperia a hipertrofia urbana e a apropriação da
renda de não beneficiários, enquanto propiciaria uma ocupação mais homogênea do
território, com vantagens econômicas, sociais e ambientais. Em vez desse
processo irracional de outorga de subsídios, seria lógica a adoção de um
princípio semelhante ao que orienta os defensores do equilíbrio ambiental – o princípio do poluidor-pagador. Aqui se trataria de adotar o princípio do beneficiário-pagador, isto é, quem aufere os benefícios deve pagar
pelos custos, o que desestimularia a hipertrofia urbana e induziria uma
ocupação mais homogênea do território.
Abaixo imagens de uma antiga cidade europeia e de uma congestionada metrópole moderna.
Veja na página Desenvolvimento
Generalizável do facebook o artigo Mãe
África – não lhe faltaremos.
https://www.facebook.com/desenvolvimentogeneralizavel/posts/1421748934521580:0
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